O MERCADO GLOBAL DE ARTE E ANTIGUIDADES

Olá delegados! Para o post de hoje, trazemos um ponto central na discussão sobre o tráfico de bens culturais na atualidade: o crescente mercado global de arte e antiguidades. Apesar de ser um comércio legal, a grande demanda por bens culturais e seus altos preços acabam por influenciar o crescimento do comércio ilegal no mundo.

O comércio de bens culturais é um fenômeno secular; indivíduos e instituições, desde renomados colecionadores, pequenos e grandes negociantes, até famosas casas de leilão, museus e locais públicos de conservação, interagem em um grande e lucrativo mercado global de arte e antiguidades. Os últimos 10 anos foram uma época de ouro para as vendas nesse mercado, a demanda por bens culturais tem crescido de maneira constante e seus preços disparados, dependendo da singularidade, como material, origem, tempo, valor simbólico e cultural, os objetos podem ser avaliados e vendidos entre milhares e milhões de dólares.

Os relatórios anuais sobre o mercado global de arte, do Art Basel e UBS Global Art, revelam que as vendas mundiais legais de arte e antiguidades foram estimadas em valores acima de 50 bilhões de dólares na última década, alcançando a faixa de 64,1 bilhão em 2019. Cerca de 82% desse comércio corresponde a apenas três países, Estados Unidos (44%), Reino Unido (20%) e a China (18%), com a França ocupando a quarta posição (7%). Esses principais polos de arte, sobretudo suas grandes cidades, Nova York, Londres, Hong Kong e Paris, têm abrigado grande parte da atuação global de casas de leilão, galerias, feiras de arte e, principalmente, de colecionadores particulares. 

Paralelamente, esse crescente mercado e fascínio por arte e antiguidades tem incentivado e impulsionado o tráfico ilícito de bens culturais e o desenvolvimento de um grande mercado ilegal, fomentando o roubo, a pilhagem, escavações ilícitas e diversas atividades criminosas ao redor do mundo. Muitos dos objetos culturais, de procedência ilegal e duvidosa, acabam se misturando com os bens legais devido uma série de estratégias adotadas pelos criminosos para disfarçar a origem do artefato, como o uso de documentação falsa, o que acaba dificultando a identificação e a recuperação desses objetos, como também do desenvolvimento de um mercado legítimo. 

Devido a essa correlação, os principais polos de arte acabam por envolver grande parte do tráfico ilícito de bens culturais, sendo destino de muitos objetos roubados e local de atuação de criminosos no comércio de arte a antiguidades. Embora, na última década, tenham sido realizados avanços na tentativa de controlar esse mercado, como o desenvolvimento e a disseminação de normas éticas e profissionais sobre a venda e a aquisição de bens culturais, a crescente demanda por esses objetos e a lucratividade desse comércio são um dos principais motivos da expansão do tráfico internacional de bens culturais, tornando a fronteira entre o legal e o ilegal cada vez mais interligadas. 

FONTES:

O CORREIO DA UNESCO, 50 anos de luta contra o tráfico ilícito de bens culturais. Paris: UNESCO, n. 3, 2020. Disponível em: https://en.unesco.org/courier/2020-4

MCANDREW, Clare. The art market 2020. Suíça: Art Basel and Ubs Golbal Art, 2020. Disponível em: https://www.artbasel.com/about/initiatives/the-art-market

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